História de Ubatuba

Contamos a história de Ubatuba desde a época do descobrimento do Brasil. Separamos ela em 5 partes: Parte 1 - Época do descobrimento | Parte 2 - Padres Anchieta e Manoel da Nóbrega | Parte 3 - Confederação dos Tamoios e Paz de Iperoig | Parte 4 - De Vila a Cidade | Parte 5 - Símbolos de Ubatuba

Parte 1 – Época do descobrimento

História do Brasil Parte 1 - Tupinambás imgNa época do Descobrimento do Brasil e no século XVI, a região hoje ocupada pelo Município de Ubatuba era ocupada pelos índios tupinambás.

Estes costumavam construir suas tabas (conjunto de Ocas, a unidade de moradia) em pontos altos, nas margens de rios, para sua proteção. viviam da caça, da pesca e da agricultura de feijão, abóbora, bata-doce e principalmente mandioca.

Esta agricultura era praticada de forma bem rudimentar, pois utilizavam à técnica da coivara (derrubada de mata e queimada para limpar o solo para o plantio). Os índios domesticavam animais de pequeno porte como, por exemplo, porco do mato e capivara.

Os Tupinamás eram excelentes canoeiros, construíram suas embarcações de cedro, guapuruvus e imbiricus para o transporte de até 30 pessoas. Em seus momentos de lazer e festa utilizavam a música, e a dança. Os instrumentos musicais eram flautas e tambores. Utilizavam o cauim, uma bebida alcoólica à base de mandioca fermentada, para alegrar suas festas.

A Carta de Pero Vaz de Caminha relata que os índios se espantaram ao entrar em contato pela primeira vez com uma galinha – não conheciam também o cavalo e o boi.

As tribos indígenas possuíam uma relação baseada em regras sociais, políticas e religiosas. O contato entre as tribos acontecia em momentos de guerras, casamentos, cerimônias de enterro e também no momento de estabelecer alianças contra um inimigo comum.

História do Brasil Parte 1 - Tupinambás imgOs índios faziam objetos utilizando as matérias-primas da natureza. Vale lembrar que índio respeita muito o meio ambiente, retirando dele somente o necessário para a sua sobrevivência. Desta madeira, construíam canoas, arcos e flechas e suas habitações (oca). A palha era utilizada para fazer cestos, esteiras, redes e outros objetos.
A cerâmica também era muito utilizada para fazer potes, panelas e utensílios domésticos em geral. Penas e peles de animais serviam para fazer roupas ou enfeites para as cerimônias das tribos. O urucum era muito usado para fazer pinturas no corpo.

Cada nação indígena possuía crenças e rituais religiosos diferenciados. Porém, todas as tribos acreditavam nas forças da natureza e nos espíritos dos antepassados.

Para estes deuses e espíritos, faziam rituais, cerimônias e festas. O pajé era o responsável por transmitir estes conhecimentos aos habitantes da tribo.

Algumas tribos chegavam a enterrar o corpo dos índios em grandes vasos de cerâmica, onde além do cadáver ficavam os objetos pessoais. Isto mostra que estas tribos acreditavam numa vida após a morte.

 

Parte 2 – Padres Anchieta e Manoel da Nóbrega

Os Jesuítas no Brasil Colônia e na História de Ubatuba

Os Padres Jesuítas José de Anchieta e Manoel da Nóbrega faziam parte de uma ordem religiosa católica chamada Companhia de Jesus, que tinha por objetivo disseminar a fé católica pelo mundo. Eles eram subordinados a um regime de privações que os preparavam para viverem em locais distantes e se adaptarem às mais adversas condições.

No Brasil, eles chegaram em 1549 com o objetivo de cristianizar as populações indígenas do território colonial.

Jesuítas - História de Ubatuba img

Os padres promoveram missões, onde organizavam as populações indígenas combinando trabalho e religiosidade. Ao mesmo tempo em que atuavam junto aos nativos, os jesuítas foram responsáveis pela fundação das primeiras instituições de ensino do Brasil Colonial. Dessa forma, todo acesso ao conhecimento da época era controlado pela Igreja.

A ação da Igreja na educação foi de grande importância para compreensão dos traços da nossa cultura: o grande respaldo dado às escolas comandadas por denominações religiosas e a predominância da fé católica em nosso país.

 

José de Anchieta (1534-1597)

Padre José de Anchieta - História de Ubatuba imgAnchieta era um Padre jesuíta espanhol nascido na Ilha de Tenerife. Emigrou para Portugal, e viveu até os catorze anos com os pais, quando se mudou para Coimbra para estudar Filosofia e Humanidades no Colégio das Artes.

No ano de 1551 foi recebido como noviço no Colégio da Companhia de Jesus, e em 1553 transfere-se para o Brasil para ser um catequizador, seguindo junto com a frote que trouxe o segundo Governador Geral, Dom Duarte da Costa.

No ano seguinte funda, chefiado por Manoel da Nóbrega e junto com demais companheiros, o Pátio do Colégio, que viria a ser a cidade de São Paulo.

Lutou na expulsão dos franceses que queriam fundar a França Antártica na Baia de Guanabara.

Quando do movimento denominado Confederação dos Tamoios, foi intermediário entre esses e demais portugueses, que por fim subjugam o grupo indígena.

Com a morte de Manoel da Nóbrega em 1570, assume o cargo de reitor do Colégio do Rio, onde permanece por três anos. Em 1577 é nomeado Provincial do Brasil, o mais alto cargo da Companhia de Jesus na Colônia. Passa então anos percorrendo diversos lugares do Brasil e ao final do ano de 1591 é nomeado superior do colégio de Vitória, onde permanece até seu falecimento.

Durante sua vida produziu algumas obras, entre elas a primeira gramática do tupi guarani. Em 1980 é beatificado pelo Papa João Paulo II.

 

Manoel da Nóbrega (1517-1570)

Padre Manoel da Nóbrega - História de Ubatuba imgJesuíta português, estudou em duas universidades: Coimbra e Salamanca e, em 1541, bacharelou-se em Direito e Filosofia. Em 1544 foi ordenado pela Companhia de Jesus e em 1548, embarcou na armada de Tomé de Souza, a serviço da coroa Portuguesa chefiando a primeira missão jesuítica na América.

Participa da fundação de Salvador (1549) e no ano de 1554 lidera a fundação do Pátio do Colégio (futura cidade de São Paulo).

Como conselheiro de Mem de Sá lutou contra os franceses em 1563, unindo-se a Anchieta para pacificação dos tamoios, grupo indígena que apoiava os invasores.

Padre Nobrega funda São Paulo - História de Ubatuba img

Em 1564 uniu-se à expedição para a fundação do Rio de Janeiro, onde falece aos 53 anos.

Entre suas obras estão: “Diálogo sobre a Conversação do Gentio” (1557); “Caso de Consciência sobre a Liberdade dos Índios” (1567); “Informação da Terra do Brasil” (1549); “Informação das coisas da terra e necessidade que há para bem proceder nela” (1558); “Tratado contra a Antropofagia” (1559).

 

Parte 3 – Confederação dos Tamoios e Paz de Iperoig

No início da colonização os portugueses tentaram escravizar os índios tupinambás para os engenhos de cana-de-açúcar em São Vicente.

Escrevidão indígena - História de Ubatuba img

Isso gerou revolta e uma aliança dos tupinambás com os franceses da França Antártica – que ocupavam na época uma região onde é hoje a baía de Guanabara. Essa aliança foi liderada pelo famoso cacique Cunhambebe e era denominada Confederação dos Tamoios.

Os Padres jesuítas José de Anchieta e Manuel da Nóbrega foram incumbidos pelos portugueses de fazer as pazes com os índios fronteiriços da nação tupinambá, que habitavam Yperoig – atual cidade de Ubatuba, no estado de São Paulo.

Desconfiados das verdadeiras intenções dos portugueses, os tamoios tomaram José de Anchieta como refém durante cinco meses, enquanto Manuel da Nóbrega voltou a São Vicente acompanhado de Cunhambebe para acertar o tratado de paz conhecido como Paz de Iperoig.

Alguns historiadores acreditam que foi nessa época que Anchieta escreveu nas areias da praia (atual praia de Iperoig em Ubatuba) muitos de seus 4.172 versos do famoso “Poema à Virgem”.

Padre Anchieta - História de Ubatuba img

As pazes foram celebradas, graças à diplomacia dos abarés (padres) e da boa vontade dos caciques Cunhambebe (filho), Pindobuçu e Coaquira, dentre outros. Este tratado evitou que os índios, enfurecidos, destruíssem as cidades e as vilas portuguesas.

Nota sobre o Cacique Cunhambebe:

Cunhambebe img

Cunhambebe foi a autoridade máxima entre todos os líderes Tamoios da região compreendida entre o Cabo Frio (Rio de Janeiro) e Bertioga (São Paulo). Foi aliado dos franceses que se estabeleceram na Baía de Guanabara em 1555, no projeto da França Antártica. Segundo Capistrano de Abreu houve não apenas um, mas dois Cunhambebes: pai e filho.

O pai teria sido o famoso guerreiro que Hans Staden encontrou na Serra de Ocaraçu (atual conjunto de morros do Cairuçu, ao Sul de Paraty, na região de Trindade). Alguns anos após a morte deste Cunhambebe, o padre José de Anchieta teria encontrado o Cunhambebe filho em Yperoig (atual Ubatuba), para as negociações que deram origem ao Armistício de Yperoig – o primeiro tratado de paz no continente americano.

 

Parte 4 – De vila a cidade

Com a paz restabelecida pelo Tratado da Paz de Iperoig, os portugueses empreenderam esforços para aumentar a colonização na região de Iperoig. Desta forma, a Aldeia de Iperoig foi elevada à condição de Vila em 28 de outubro de 1637, recebendo o nome de Vila Nova da Exaltação à Santa Cruz do Salvador de Ubatuba.

barra ilha pescadores 1946
Foto por ubatubense.blogspot.com.br

Ao longo do século XVIII, a produção agrícola cresceu e a Baía de Ubatuba se transformou no mais movimentados portos da Capitania de São Vicente.

No início, a vila pertencia à jurisdição do Rio de Janeiro, até que uma ordem do Rei subordinou-a à Capitania de São Paulo. Em 1789 o governo de Lorena determinou que toda exportação só poderia ser feita pelo Porto de Santos, o que levou à primeira decadência econômica de Ubatuba.
O governador seguinte, Melo de Castro e Mendonça, concedeu novamente o direito ao livre comércio da vila.

Ao longo do século XIX Ubatuba enriqueceu com a atividade portuária. Em 1855, a cidade passou de vila a comarca. Comerciantes e exportadores pensaram em construir uma ferrovia, para ter alternativas aos portos de Santos e do Rio de Janeiro, sem no entanto obter apoio do governo para a ideia.

Com isso Ubatuba perdeu importância frente aos dois portos concorrentes, o que acarretou em isolamento e decadência econômica.

Porém, em 21 de abril de 1933 o engenheiro Mariano Montesanti inaugurou uma rodovia que partia de Taubaté e ia até Ubatuba, fazendo a importante ligação por estrada com Vale do Paraíba. Com isso houve um grande impulso no turismo.

Serra de Ubatuba - História de Ubatuba fotoA atividade econômica cresceu com o grande número de casas de veraneio que foram construídas, e em 1948, Ubatuba conquistou a categoria de estância balneária.

A especulação imobiliária e o fomento do turismo contribuíram para uma nova etapa de desenvolvimento de Ubatuba, que hoje resgata seu passado na cultura caiçara, nas ruas, nas festas de origem portuguesa e nos edifícios históricos, revelando seu potencial como estância balneária para o turismo.

 

Parte 5 – Símbolos de Ubatuba

Bandeira de Ubatuba img
Bandeira de Ubatuba

Brasão de Ubatuba img
Brasão de Ubatuba

 

HINO DE UBATUBA

UBATUBA, SIM!
UBATUBA, Sim, Sim, Sim!
ela tem lindas praias de areia dourada!
Ubatuba, sim, sim, sim!
Viver no Perequê, no Itaguá, na Enseada!
Ubatuba, sim, sim, sim!
Horizontes de mar e de montes sem fim
seu céu estrelado
de azul anilado
suas matas, seus rios,
seu Povo abençoado!
Eu amo Ubatuba
assim como ela é
sozinha, isolada,
Só com sua Fé.
Conquanto ela suba
ao progresso que vem,
que fique guardada
com tudo quanto tem!
UBATUBA, sim, sim, sim!
ela tem lindas praias de areia dourada!
Ubatuba, sim, sim, sim!
Da PICINGUABA extrema até a MARANDUBA
Ubatuba, sim, sim, sim!
Horizontes de mar e de montes sem fim
E o céu estrelado
De azul anilado
Da “TERRA ENCANTADA”
que a nossa alma derruba!

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