Lendas

Lenda da Praia da Caveira

 Ilhabela está repleta por lendas antigas que contam um pouco sobre sua história e sobre fenômenos que aconteceram na ilha.

 

Lenda Cachoeira da Água Branca

Lenda Cachoeira da Água BrancaA cachoeira da Água Branca está localizada no centro da ilha, no bairro da Água Branca. É uma linda cachoeira, e sua beleza se evidencia em épocas de chuva, quando suas águas se avolumam, sendo visível até no lado do continente.

A lenda diz que entre os dois braços da queda d’água da cachoeira há um buraco bem fundo, e acredita-se que este buraco é o lar da MÃE D’ÁGUA OU MÃE DO OURO. E é no buraco também que dizem que a “tacha” de ouro está enterrada.

Todas as noites de luar a Mãe d’Água se senta nas pedras para pentear os seus longos cabelos prateados com um pente de ouro.

Contam os antigos moradores que os que se aproximam dali são atraídos pela Mãe d’Água para o fundo da cachoeira para que esta possa roubar-lhes a riqueza. Os que são atraídos nunca mais voltam.

Informações de pessoas esclarecidas dizem que a beleza é tanta em noite de luar, que elas se veem atraídas pela queda d’água.

 

Lenda da Água da Saúde

Antigos moradores da ilha contam que, uma vez, levavam para ser enterrado na Praia dos Castelhanos (praia localizada ao leste da ilha) um velho do bairro do Bonete. Como era costume na época, foi embrulhado em um lençol.

Na caminhada pararam para beber água em um córrego e, ao voltar encontraram o velho sentado, pedindo água. Saíram todos correndo, largando o pobre coitado lá.

Esse córrego ficou conhecido como Água da Saúde.

 

Lenda da Toca da Serpente

Toca da SerpenteHavia no bairro da Armação, norte da ilha de São Sebastião, uma enorme serpente que atraia os pescadores para sua toca e os matava.

Os moradores dessa praia, aterrorizados com os constantes ataques, pediram a um padre que a “amaldiçoassem”. Não sabem se foram a bênção do padre e suas orações, mas a serpente enraivecida mordeu a pedra e, deixando nesta o sinal de seus dentes saiu mar a fora. Daí esse local passou a ser conhecido como “Toca da Serpente”.

Esta lenda tem muita semelhança com a da praia de Guaecá em São Sebastião, onde Anchieta é o padre.

 

Lenda do Portinho

Lenda do PortinhoTambém conhecida como a lenda de Maria Fixi, a lenda se passa numa fazenda do bairro do Portinho, ao sul da ilha de São Sebastião.

Contam que antigamente morava nessa praia uma “dona de escravos” muito má, que maltratava os escravos até lhes arrancar sangue. Seu nome era Maria Fixi.

Chegou a esse lugar um navio negreiro para vender escravos para a “dona”, e lhe deram de presente uma imagem muito milagrosa de Santo Antônio.

Certo dia, os negros fugiram da fazenda levando sua louça de prata. Ela, vendo-se perdida, pediu ao Santo Antônio que se eles voltassem com tudo o que tinham levado prometia não mais lhes bater.

De repente, na mata onde se escondiam os escravos, apareceu um velhinho com um cordão na mão, que os fez voltar para a Fazenda. Ao chegarem lá Maria Fixi ficou sabendo do velho e nunca mais maltratou seus escravos.

 

Lenda da Pedra do Sino

Lenda da Pedra do SinoCerta noite, no ano de 1647, o som dos sinos despertou a tranquila população de Ilhabela. Todos correram em direção aos sinos e, assombrados, viram passar em frente à praia um caixão com seis velas. Sobressaltados, se puseram de joelhos e rezaram enquanto o caixão passava pelo canal, levado pela correnteza, em direção ao sul. Era a imagem do Bom Jesus que foi encontrada em Iguape e até hoje é venerada lá como Bom Jesus da Cana Verde.

Esta lenda tem base histórica. Segundo o historiador Calixto, foi o “vaso”, navio de guerra de Segismundo Van Schkope que pôs à pique o navio português que transportava a imagem destinada à igreja de Pernambuco. Este fato se deu em fevereiro de 1647 e a imagem, levada pelas correntezas, chegou em Iguape aos 2 de dezembro de 1647.

** Há referências desta mesma lenda em outras versões no livro de Maria Cecília França, “Pequenos Centros Paulistas de Função Religiosa”, e também em “Lendas do Litoral Paulista” de Hipólito do Rêgo.

 

Lenda da Pedra do Sino II

Lenda da Pedra do Sino IINa praia chamada Garapocaia (também conhecida como Pedra do Sino) há pedras que, quando batidas, soam como sinos.

A lenda conta que, no século XVII, ao amanhecer, surgiu uma caravela de piratas que se dirigia à ilha de São Sebastião, enquanto a população ainda dormia. Os piratas estavam prontos para abrir fogo contra a ilha quando ouviram soar sinos despertando o povo que se preparou para receber os inimigos. Nisto surge um guerreiro São Sebastião, que tomou o comando e, em pouco tempo, fez o inimigo recuar. Quando o povoado voltou a calma, quiseram saber onde estavam os sinos.

Não eram os sinos da Igreja da Armação. Ninguém sabia explicar, a não ser os indígenas que diziam “Garapocaia, Garapocaia” enquanto apontavam para as pedras. As pedras dessa praia, então, passaram a chamar “Pedras do Sino”, e atualmente são atração turística da ilha, na praia de Guarapocaia.

Esta lenda confunde-se, também com a cidade de São Sebastião.

 

Lenda do Peixe Tapa

Lenda do Peixe TapaPeixe Tapa ou lambaca, conhecido por nós como linguado, e a lenda sobre o peixe conta a seguinte história: Andava S. Pedro (ou Jesus) passeando pelas praias da Ilhabela quando, preocupado com a maré, perguntou ao linguado: “A maré enche ou vaza? ”. O linguado ao invés de responder direito, imitou S. Pedro, com voz fanhosa e boca torta. São Pedro deu-lhe um tapa e falou-lhe: “Com os olhos para trás hás de ficar”.

O pescador Pedro Jacinto do bairro de São Pedro, já conta uma lenda um pouco diferente, ele diz que o peixe tapa (ou linguado) anda sempre no fundo do mar, no meio da lama, e tem o “fundo” branco e as costas pardas. Conta ele que este peixe, ao virar-se para enxergar o sol, ficou com a boca torta.

É por isto que o linguado é chamado de peixe tapa, é chato, tem boca torta e os olhos “por cima da costas em um lado só”. Toninha do Perequê comenta: “Isto é verdade mesmo. Contado pelos pescadores”.

 

Lenda da Feiticeira

Os antigos moradores dizem que a proprietária da Fazenda São Mathias, localizada na praia da Feiticeira, possuía imensa riqueza, e explorava uma taverna que era ponto de encontro de piratas e marinheiros de navios negreiros e mercantes que ali aportavam em busca de provisões e informações.

Certo dia, envelhecida, alquebrada e enfraquecida, temendo ser saqueada, enterrou seu tesouro no local conhecido por Tocas com auxílio de seus escravos, e depois os matou para evitar que revelassem o segredo.

Conhecida como a feiticeira, enlouqueceu e não foi mais vista.

 

Lenda da Praia da Caveira

Lenda da Praia da CaveiraA lenda diz que certa vez, um navio negreiro ao passar atrás da ilha, afundou, e todos os tripulantes e escravos morreram, os corpos ficaram boiando no mar. Um padre que passava de barco por aquele lugar viu os corpos e os enterrou debaixo de uma enorme figueira.

Os moradores da Ilha afirmam que às seis horas da tarde, ao passar perto daquela figueira, ouvem “vozes de defunto”.

Na realidade o que ocorre é que no local há muitas pedras, e o vento, entrando e saindo entre as pedras, emitem um som “de teclas” como a imitar vozes de outro mundo.

 

Cachoeira da Laje

Cachoeira da LajeConta Manoel Leite Santana, caiçara, que num domingo pela manhã, viu duas moças louras penteando seus cabelos, que iam até o calcanhar, com um pente de ouro. Dizia o povo que era a MÃE-DE-OURO. Ao voltar, já à noitinha, ele olhou para o fundo do rio e viu um tacho de ouro. Cortou um galho e tentou “engatar” na alça do tacho, mas não conseguiu, pois era um tacho encantado. No dia seguinte, o encarregado do trabalho, chamado Rafael, voltou da mata todo apavorado dizendo que não podia contar o que tinha vista senão morreria logo. Este homem morreu muito velho e não contou o que tinha visto.

No fundo da Cachoeira da Laje existem malacachetas de mais de vinte centímetros de comprimento, daí ser uma cachoeira encantada, pois elas brilham como pedras preciosas.

*Informações prestadas por Antônio Leite Santana, filho de Manoel Leite Santana.

 

Toca do Estevão

Toca do EstevãoEstevão era um escravo trabalhador e servil no Engenho D’água em Ilhabela. Era esperto, inteligente e queria aprender a ler e escrever. Como era muito querido pela “Sinhá”, esta, as escondidas, ensinou-o a ler.

O capataz que sentia grande ciúme pelas atenções que eram dispensadas a Estevão pela “Sinhá” descobriu que o escravo sabia ler e escrever. Imediatamente contou ao “Sinhô” que mandou aprisionar Estevão. A prisão e os castigos dispensados a um escravo alfabetizado eram torturantes, muito mais do que os de um escravo comum. Um belo dia, Estevão fugiu do cativeiro, ajudado pela “Sinhá”, que tinha como ama a mãe do próprio Estevão. Quando descobriram a fuga foram direto à “Sinha” e sua ama. Estas ao verem chegar o capataz, o “Sinhô” e os policiais, imediatamente tiveram uma idéia: ocultaram Estevão embaixo da longa e engomada saia da ama e negaram até o final, terem visto o escravo. Assim que os homens se foram, Estevão partiu ocultando-se em uma toca que fica logo acima do Engenho D’ Água, e nunca mais o pegaram.

Ainda hoje, quando passam perto dessa toca, os caçadores dizem ouvir os lamentos do escravo. Daí o nome “Toca do Estevão”.

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