Graças a famosa escultora Felícia Leiner, Campos do Jordão possuí hoje um belíssimo museu de esculturas ao ar livre.

O Museu Felícia Leiner reúne cerca de 90 peças esculpidas em bronze, granito e cimento branco, doadas pela escultora no ano de 1978 para o Governo do Estado de São Paulo, devido seu amor aos animais e à Campos do Jordão.

São figuras zoomórficas e humanas, além de gigantescas imagens brancas que nascem da grama para estabelecer uma comunhão perfeita com a paisagem.

Por entre suas alamedas sombreadas e floridas, pode-se sentir toda a alma da escultora através de suas peças expostas em pontos estratégicos e a belíssima vista da pedra do baú com todo seu encanto.

As obras também recebem atenção à noite, quando recebem um jogo de luz, que permite uma apresentação a parte.

Para conferir as obras em forma cronológica. Inicie o trajeto por um caminho estreito cheios de árvores numa sugestiva sombra; indo às peças abstratas em formas circulares. As peças em cimento branco estão espalhadas entre as árvores e parecem interagidas com a vegetação local, em alguns pontos podem ser avistados a Serra da Mantiqueira.

Informações sobre o Museu Felícia Leirner

  • Localização: Av. Dr. Luis Arrobas Martins, 1880 – Alto da Boa Vista, em uma área de 350.000 m2 no jardim do Auditório Cláudio Santoro (principal palco do Festival Internacional de Inverno de Campos do Jordão).
  • Horário para visitação: De terça a domingo, das 9h às 18h e feriados (exceto Eleições, Natal e Confraternização Universal em 1 de Janeiro).
  • Agendamento de grupos e excursões: Pelo telefone (12) 3662-6000 ou pelo Fale Conosco, de terça a domingo, das 9 às 17h.
  • Acessibilidade: o Museu está preparado para receber todos os públicos.
  • Faça um tour pelo museu sem sair de casa: Tour Virtual

Sobre a artista Felícia Leiner

Felícia Leiner nasceu em Varsóvia em 1904, morou na Polônia até 1927, quando veio para o Brasil, após a opressão, preconceitos e humilhação causadas no pós-guerra da Primeira Guerra Mundial.

Felícia era cantora de ópera, mas teve que abandonar o sonho após uma intervenção cirúrgica. Foi aí que adentrou no mundo da arte, aos 42 anos, começando com aulas de pintura e desenho.

Começou suas experiências com escultura com Elizabeth Nobling, mas foi no ateliê do renomado artista Victor Brecheret que foram criados seus primeiros trabalhos pertencentes à fase “Figurativa” e são datados de 1950 a 1958.

Felícia Leiner confirmou sua importância como artista nos anos 50:

  • Participou das Bienais Internacionais de São Paulo
  • Foi agraciada em 1955 com o “Prêmio de Aquisição” do Museu de Arte Moderna do Rio de Janeiro (tendo seu nome e sua obra reconhecida no país e no exterior)
  • Teve suas obras incorporadas aos acervos do Museu de Arte de São Paulo (MASP) e do Museu de Arte Moderna de Paris, além de outros importantes Museus da Europa como o Stedejlik Museum de Amsterdã e a Tate Gallery de Londres
  • Recebeu o prêmio de “Melhor Escultor Brasileiro” em 1963 pela Bienal de São Paulo

Em 1963 Felícia Leiner começa uma nova trajetória ao trabalhar com obras abstratas, nascendo então a fase das “Cruzes”, seguida pela fase das “Estruturações” (1964/1965).

Na construção de suas esculturas, ela utilizava barro, contrariando as de mármore e talho na madeira como base para as peças. Tanto que, em suas obras em cobre, ela usava moldes de gesso sobre um molde de barro.

Fekícia Leiner resolveu se refugiar em Campos de Jordão após o falecimento precoce de seu marido em 1962, instalando-se na cidade em 1965.

Este foi o ponto de partida para a fase dos “Habitáculos” em 1966, onde envereda pelo território da arquitetura com esculturas habitáveis.

Seu amor à natureza e aos animais a leva, em 1970, a fase dos “Bichos” transformando às suas obras em um curioso e fantástico zoológicos de ricas formas, cheias de cavidades, onde a água da chuva poderia se acumular e refrescar os pássaros, animais pelos quais demonstrava um carinho especial. Nesta mesma época, ela fez um grande conjunto de esculturas dedicado ao “Homem e a Família”, como a “São Francisco” que aparenta estar de braços abertos aguardando a visita dos pássaros.

O amor da escultora à natureza e a Campos do Jordão foi declarado com a criação do Museu Felícia Leirner em 1978, onde a artista doou todas as obras de sua autoria e de sua propriedade ao Governo do Estado de São Paulo para a composição do museu.

Em 1980 a artista iniciou a fase dos “Portais”, com suas formas recortadas e planas, que distribuem sobre a paisagem como mensagens enigmáticas, dando continuidade às obras no Museu.

E em 1982, coloca duas molduras em uma árvore torta, marcando assim o fim de sua produção no museu, recolhendo-se em sua casa e distraindo-se apenas com obras menores, com seus desenhos, tapetes e bordados.

Museu Felícia Leirner foi classificado pelo International Sculpture Center de Washington, através de sua revista Sculpture, um dos principais museus do mundo.

Amada por todos e admirada por muitos, Felícia Leirner com seu espírito sembre juvenil, viveu seus últimos anos de vida entre Campos do Jordão e São Paulo quando a temperatura era amena, vindo a falecer aos 92 anos na tranqüilidade de sua casa de São Paulo.

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